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O impacto do documentário: o Holocausto

Sábado, 28.11.09

 

Comecei a ler sobre o Holocausto aos 15, 16 anos. Foi também nessa altura que li sobre Mao Tse-tung e a Revolução Cultural. Idade em que a curiosidade se alarga e estica: queremos saber o que se passa no mundo, a nossa história comum. E tudo isto era muito recente. Anos 30, 40. E tão perto de nós, o Holocausto em plena Europa.

 

O Holocausto, pois. O maior horror. Difícil de assimilar a morte a uma dimensão industrial, como ouço neste documentário que vi hoje à tarde no National Geographic. Registos de diversa natureza, testemunhas do horror. Antes mesmo dos campos de concentração, de extermínio, havia os esquadrões da morte e as valas comuns. Mas não eram suficientemente eficazes: o público era testemunha (as populações podiam assistir, alguns eram mais do que testemunhas, ajudavam a transportar as vítimas e até a cobrir as valas com areia e terra); não eram suficientemente rápidos  e gastavam-se muitas balas. Numa visita a uma dessas valas, Himmler terá ficado incomodado com a lentidão das mortes: Matem-nos depressa!  Foi assim que surgiu a ideia de concentrar as vítimas em campos, segundo alguns historiadores do Holocausto.

Estas mortes estão documentadas em fotografias e em filme, um deles de um oficial alemão que nesse dia não estava de serviço. Mas há imensas valas por identificar, sobretudo na região que estava até 91 sob o domínio soviético. Para documentar estas acções de extermínio há um padre católico que entrevistou várias populações na Polónia, Ucrânia, Letónia, etc. e já identificou mais de 800 valas comuns. O extermínio começou anos antes dos campos de concentração (em 42) e está muito ainda por identificar e documentar. As testemunhas eram na altura crianças apenas, mas lembram-se nitidamente dessas mortes. Uma testemunha refere mesmo, a chorar, a morte à bala de uma criança perto da escola. Relatos do horror. Outra testemunha foi obrigada pela mãe a ajudar a acomodar os corpos nas valas pisando-os e colocando areia. Muitos não estariam ainda mortos e logo eram cobertos com terra ou outra camada de corpos.

Há relatos de sobreviventes verdadeiramente impressionantes e indescritíveis. Mas como diz um historiador: Estes registos de factos incomodam, mas é necessário encarar esta realidade. É sinal de que estamos ligados à nossa humanidade.

Daí a importância de manter a memória: Para que não volte a contecer.

É que, como diz uma das testemunhas, os autores destes crimes são pessoas normais, que não distinguiríamos de outros se os víssemos num clube, por exemplo.

E como diz um dos historiadores: As pessoas podem ser condicionadas a matar adversários. ... É errado pensar que o Holocausto é um acontecimento histórico  isolado. Acontecem outros holocaustos noutras partes do mundo e noutras épocas. E podem voltar a acontecer.

Sim, manter a memória é fundamental, aprender a identificar as sementes do ódio, da linguagem do poder.

Manter a memória e ensinar sobre o Holocausto nas escolas, por exemplo: Memoshoa. 

Em 78 passou uma série impressionante, O Holocausto (Holocaust) com uma muito jovem Meryl Streep. 

Recentemente também vi dois filmes: Adão Renascido (Adam Resurrected) de 2008, e um outro, que já tinha visto há alguns anos, A escolha de Sofia (Sophie's Choice) de 1982. No primeiro, o sobrevivente acaba por curar a sua dor e viver o resto dos seus dias num quotidiano relativamente tranquilo. No segundo não há cura possível para tanta dor e a morte é só adiada.

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 19:10








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